Novos Focas

Formação e carreira em jornalismo

Arquivo de PIBIC

Feira de São Joaquim – comunicação, cultura e turismo

Feira de São Joaquim – comunicação, cultura e turismoAluna bolsista: Mariana do Amor Divino (Comunicação Social/Jornalismo)Profa. orientadora: Mônica CelestinoColaboradores: Acadêmicos Camila Borges, Gabriela Magalhães e Paulo Maurício Santana; docentes Marilei Fiorelli e Renato Nascimento Objetivo geral Contribuir para o processo de tombamento, preservação e manutenção de acervo de elementos da história, identidade e características culturais da Feira de São Joaquim, reconhecendo sua importância na promoção e no desenvolvimento da memória e das manifestações culturais da Bahia, e também para a melhoria das relações e condições de trabalho no local, a partir de pesquisas de campo, coleta de depoimentos, arquivamento em mídia impressa e digital, difusão, interpretação e análise deste universo sob a ótica do conhecimento já consolidado neste campo.  Objetivos específicosElaborar um paper com breve resgate da história e análise da cobertura sobre a Feira de São Joaquim e suas antecessoras.Desenvolver um site da Feira de São Joaquim. ProblemaAlém de ser o local de comercialização dos principais produtos artesanais feitos na região do Recôncavo e Sertão baiano, a Feira de São Joaquim é um marco na história da Bahia com mais de 40 anos. Tem potencial para exploração turística e é um importante pólo gerador de emprego por abrigar em torno de sete mil trabalhadores, que vendem, armazenam e transportam os mais variados gêneros alimentícios, utilidades domésticas, artigos religiosos e musicais e interagem de forma singular. A preservação da sua identidade histórica e cultural é imprescindível para o êxito do seu processo de tombamento como bem imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que está em andamento, e para assegurar melhores condições de trabalho e compra para feirantes e clientes respectivamente. Espera-se que este tombamento possa contribuir para desenvolvimento de um projeto de melhoria da salubridade, higienização e acessibilidade do local, com respeito às suas características históricas e culturais. O projeto pode ser um recurso auxiliar neste processo, pois registra e dissemina informações sobre a Feira. Referencial teóricoEstudos das áreas de webjornalismo, design, cultura e história de Salvador. Autores consultados Marco Palácios, Elias Machado, Carla Schwingel, Luís Henrique Dias Tavares, Antônio Risério, Gey Espinheira, Antônio Gil, Heloísa Herscovitz, entre outros.  Metodologia Leitura bibliográfica; pesquisa de campo; inventário das publicações sobre a Feira (trabalhos acadêmicos, filmes etc.); desenvolvimento de site; catalogação e digitalização da documentação de caráter jornalístico pertinente ao objeto; e análise dos periódicos com aplicação da metodologia da análise de conteúdo para desenvolvimento de paper. Desenvolvimento  Tendo em vista recolher e difundir a memória e a identidade desse bem cultural de natureza imaterial, além de contribuir para o seu processo de tombamento como patrimônio histórico artístico e cultural, desenvolveu-se o site sobre a Feira de São Joaquim e realizou-se a análise de conteúdos jornalísticos divulgados sobre São Joaquim e sua antecessora entre 1947 e 1979, com aplicação da metodologia da análise de conteúdo (AC) para compreender como o objeto é noticiado pelos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia, Diário de Notícias e o Jornal da Bahia a partir dos recortes arquivados pela Fundação Gregório de Matos (BA). A descrição quantitativa e qualitativa das matérias, dos temas e das fontes possibilita comparações entre os veículos em questão. Conclusões A opção de analisar o material depositado no acervo da Fundação Gregório de Matos decorre da necessidade adequar o objetivo do projeto ao tempo disponível para pesquisa e publicação de um site sobre a Feira (um ano). Através deste material, foi possível fazer uma breve reconstituição da história de São Joaquim e suas antecessoras. Lá, estão 128 matérias com enfoques diversos, divididas em três pastas que se referem a três períodos distintos. Optou-se pela análise do período mais antigo, que compreende as três primeiras décadas da Feira (de 1947 e 1979) e 45 matérias. Os assuntos mais abordados relacionados à Feira são os incêndios (12 matérias), as mudanças de localização (11), a sujeira (07) e o novo aspecto do mercado (04). Encontram-se também, em poucos números, os temas cotidiano (03), economia (03), qualidade dos produtos (01), outros sem um enquadramento temático específico (04). De acordo com o material, em geral são abordados os problemas de São Joaquim, em detrimento da diversidade cultural e de sua contribuição para a cidade. Os resultados obtidos nessa análise de conteúdo ajudam a legitimar a hipótese de que é necessário registrar e difundir a memória e a identidade desse bem cultural de natureza imaterial, evidenciando sua importância histórica e cultural. O projeto contribui com esse propósito ao reunir, em um site (www.jornalismo.fib.br/saojoaquim), um breve histórico, fotografias, informações sobre o funcionamento e as características, além de informações acerca da produção jornalística e cinematográfica sobre a Feira. 

Lembranças do golpe civil-militar na Bahia – memória de jornalistas em tempos de ditadura

Título do projeto: Lembranças do golpe civil-militar na Bahia – memória de jornalistas em tempos de ditaduraPIBIC FIB 2007/2008

Estudantes participantes: Victor Bugalho (bolsista) e Luciana Zacarias (voluntária)

Orientadora: Profa. ms. Mônica Celestino

Data do início: agosto 2007Data de final prevista: julho 2008Área de conhecimento: Ciências Sociais AplicadasSub-área do conhecimento: ComunicaçãoPalavras-chaves: História da imprensa; jornalista; golpe civil-militar; memória Resumo do projeto:Em 31 de março/1º de abril de 1964, eclodiu o golpe civil-militar que levaria o Brasil a um longo período de ditadura e marcaria a imprensa nacional com a censura, sob amparo de atos institucionais (AI) assinados por presidentes militares. Neste sentido, o AI-5 é emblemático por institucionalizar a vigilância aos veículos de comunicação e seus agentes. Até 1985, quando a ditadura chegou ao fim, jornais foram empastelados por divulgarem notícias contrárias aos anseios do governo vigente e jornalistas de todo o país atuaram sob os olhos de censores, foram torturados e até mortos. Muitos reagiram publicando edições com páginas em branco ou com informações banais, por exemplo. Embora as pesquisas sobre esta fase da história política do Brasil e a história da imprensa baiana tenham crescido nos últimos anos, a memória dos profissionais de imprensa atuantes nesta fase em Salvador nunca foi registrada, tornando-se iminente o risco de perdas em decorrência da dispersão de documentos e da morte das fontes orais de relevância para compreensão da temática. Propõe-se então levantar, sistematizar e publicizar a memória de jornalistas que trabalharam na cobertura dos acontecimentos na capital neste período acerca das rotinas produtivas dos veículos, da ingerência dos censores nas redações, de estratégias para burlar a censura e de formas de relacionamento profissional desenvolvidas sob proibição de reuniões, com o objetivo de contribuir para a preservação das informações e a compreensão deste cenário por novas gerações. Vale ressaltar que a difusão destas informações está prevista para 2008, ano de celebração dos 200 anos da imprensa no Brasil. Para tanto, será adotada a metodologia da história oral (BOSI, 1994), com coleta de depoimentos de jornalistas que a trabalharam na cidade nos primeiros anos de vigência do AI -5, além de revisão de literatura e realização de inventário de materiais impressos de áudiovisuais.  Dados complementares do projetoObjetivo geral:Contribuir para a coleta, sistematização e difusão da memória de jornalistas que atuaram em Salvador nos primeiros anos após a sanção do AI-5 acerca da censura e da cultura profissional da época, reconhecendo sua relevância para a preservação da história e a compreensão deste cenário por novas gerações, a partir da coleta de depoimentos, do inventário de materiais impressos e audiovisuais e da revisão de literatura.  Objetivos específicos:Identificar, coletar, organizar e publicizar informações sobre as rotinas produtivas dos veículos, a ingerência dos censores nas redações, as estratégias para burlar a censura e formas de relacionamento profissional desenvolvidas sob proibição de reuniões do AI-5 entre jornalistas em Salvador.Estimular a pesquisa e publicação em história da imprensa em Salvador, mais especificamente sobre período ditatorial.Inserir acadêmicos de Comunicação Social/Jornalismo do Centro Universitário da Bahia – FIB no universo da pesquisa científica, despertando-lhes o interesse pela história da Bahia e da imprensa e pela prática da investigação. Justificativa resumidaA despeito do restrito acervo com análises sobre o modus operandi dos jornalistas em determinados períodos históricos, sobretudo na Bahia, os jornais são cada vez mais adotados como fontes documentais principalmente em trabalhos acadêmicos das ciências humanas e sociais aplicadas. Portanto, são necessários estudos que tratem deste aspecto, considerando a contribuição da imprensa para a constituição da história, a compreensão da realidade pelo público e a tomada de decisões pelo poder público e pela sociedade civil. Nesse contexto, propõe-se a pesquisa Lembranças do golpe civil-militar na Bahia – memória de jornalistas em tempos de ditadura, como um instrumento para revelar e difundir o cenário de atuação dos jornalistas e jornais durante a ditadura no país, mais especificamente nos primeiros anos após o Ato Institucional – 5.A proposta é levantar, sistematizar e publicizar a memória de jornalistas que atuaram em Salvador e, portanto, participaram da vida pública da cidade neste período, com ênfase em aspectos como as rotinas produtivas dos veículos, a ingerência dos censores nas redações, as estratégias para burlar a censura e as formas de relacionamento profissional estabecidas em tempos de censura e proibição da realização de reuniões sob acusação de subversão. O objetivo central do projeto é contribuir para a preservação da memória e a compreensão deste cenário por novas gerações. Vale ressaltar que a difusão das informações coletadas na pesquisa está prevista para 2008, ano de celebração dos 200 anos da imprensa no Brasil.Embora as pesquisas sobre a história do golpe de 1964, da ditadura militar (1964-1985) e da imprensa na Bahia tenham crescido nos últimos anos, tal memória nunca foi registrada, tornando-se iminente o risco de perdas em decorrência da dispersão de documentos e da morte das fontes orais de relevância para compreensão da temática. A pesquisa ora proposta, em síntese, visa reunir informações acerca da atuação de profissionais de jornalismo e da imprensa, entendida como agente no processo de (re)construção da realidade através de estratégias discursivas engendradas a partir da interação entre jornalistas, fontes jornalísticas e sociedade. Revisão de literaturaDecorridos mais de 40 anos após o golpe de 1964, a ação de civis e principalmente militares contra o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, o Jango, ainda suscitam acalourados debates e crescentes pesquisas científicas sobre aspectos diversos. Isso é salutar porque a compreensão da também chamada Revolução de 1964, Revolução Vitoriosa, Revolução de Abril e Revolução Redentora – deflagrada em 31 de março/1º de abril de 1964 – é imprescindível para o entendimento do Brasil contemporâneo, suas singularidades e particularidades do ponto de vista social, econômico, político e cultural.Motivos diversos concorrem para o golpe (FAUSTO, 2000). Alguns autores consideram que o regime totalitário surgiu do receio da consolidação do comunismo e/ou do anseio pelo desenvolvimento do país. Uma das versões mais recorrentes, entretanto, é de que houve uma reação civil-militar aos conflitos entre o presidente João Goulart – com apoio de forças sindicais e grupos militares de esquerda (liderados pelo general Argemiro de Assis Brasil) -, os governadores de alguns dos principais estados brasileiros, o Congresso Nacional (inclusive de segmentos do seu próprio partido, o Partido Trabalhista Brasileiro) e as Forças Armadas, em especial o Exército.O golpe interrompeu a gestão de Jango, que havia sido eleito vice-presidente pelo PTB mas assumiu a presidência após a renúncia de Jânio da Silva Quadros (candidato da União Democrática Nacional) em 1961. Os conflitos são anteriores à posse. Apesar da Constituição Federal vigente (de 1946) prever a substituição do presidente pelo vice, militantes de direita acusaram Goulart de comunista e vetaram a continuidade do regime presidencialista no país. Somente após acordo para implantação do parlamentarismo, ele assumiu a chefia do Estado brasileiro, tornando-se, em 1963, finalmente presidente da República após plebiscito que restabeleceu o presidencialismo no Brasil. Inconformados com o desfecho da batalha política, seus adversários começaram a articular o golpe, que levaria o país a uma ditadura de 20 anos[1].Durante o período de exceção, os militares passaram a controlar a imprensa nacional, amparados principalmente pelo Ato Institucional nº 5. Sancionado pelo presidente Artur da Costa e Silva, no dia 13 de dezembro de 1968, o AI-5 era inicialmente somente uma resposta a um discurso do deputado Márcio Moreira Alves que recomendava às brasileiras não namorarem oficiais do Exército, mas tornou-se um instrumento de afirmação do regime por meio da força. O documento amplia o poder do presidente, através da suspensão da liberdade individual e vigilância de opositores ao regime do fechamento do Congresso Nacional, de assembléias legislativas e câmaras de vereadores; da cassação de mandatos e suspensão de direitos políticos por dez anos de opositores à ditadura militar; da regulamentação de intervenção em territórios, estados e municípios; da intervenção no Poder Judiciário, inclusive com demissão de juízes contrários ao governo; da legalização da legislatura por decretos; da instalação de estado de sítio; da proibição de reuniões; da determinação de censura prévia, inclusive para música, teatro e cinema; e da suspensão da concessão de “habeas corpus” para os réus de crimes políticos. Surgia então um período longo de patrulha ideológica e penalidades diversas para acusados de subversão (censura política, prisão e tortura).Na Bahia, o golpe incidiu sobre uma sociedade tradicional, mas em processo de modernização. Era um momento de conflitos sociais e políticos manifestados desde o início da administração do governador Lomanto Júnior, eleito pela aliança UDN-PTB-Partido Republicano-Partido Libertador em uma disputa contra Waldir Pires (Partido Social Democrático) em 1962. A candidatura, por si, era conflituosa por contar com o apoio do ex-interventor e governador Juracy Magalhães – líder da UDN e adversário de João Goulart – e do PTB, a legenda do presidente da República. Já o PSD – conhecido pelo tom moderado e posicionamento de centro no país – pregava a reforma econômica e social e atenção ao pleito de trabalhadores. Em síntese, o governador chegou ao Palácio da Aclamação com o desafio de administrar o Estado equilibrando suas relações com o governo central de Jango e com os movimentos sociais ávidos por reformas de base: Do ponto de vista prático, naquele contexto, isto significava hipotecar apoio ao presidente Goulart, distanciando-se, contudo dos componentes mais reformistas de suas proposições governamentais, advogando, em contrapartida, uma resolução dos principais problemas nacionais segundo os princípios de um progressismo cristão, mais palatável a boa parte de seus aliados e apoiadores [...] Equilibrista político, na boa tradição do PSD nacional, ao qual formalmente não pertencia, Lomanto procurou atuar, durante os doze meses de sua gestão que antecederam o golpe de 1964, como um “algodão entre os cristais”, amortecendo os atritos entre os Magalhães e Jango, o lacerdismo e o trabalhismo, a UDN e o PTB (FERREIRA, 2007). O Estado foi surpreendido pelo golpe civil-militar de 1964. Tanto Lomanto Júnior quanto segmentos representativos da sociedade baiana, a exemplo do jornal A Tarde – o maior da Bahia já naquela época – apostaram na manutenção de João Goulart no governo do país e no zelo pela legalidade institucional, ao contrário do que ocorreu em outros estados, porém as manifestações de resistência eram ineficazes entre os baianos neste primeiro momento. O próprio governador reuniu-se com sindicalistas na sede do Jornal da Bahia, com o objetivo de organizar um movimento pró-Jango, mas já no dia 02 de abril de 1964, sob pressão dos militares, comunicou sua adesão à “Revolução” em pronunciamento transmitido pela TV. O prefeito de Salvador, Virgildásio Sena (UDN), por sua vez, foi destituído do cargo, teve seus direitos políticos cassados e foi detido na sede da 6ª Região Militar, em retaliação à sua defesa das reformas de base. Em meio à perseguição aos oponentes do regime, sindicatos foram retaliados, a exemplo do sindicato dos petroleiros que foi alvo de um inquérito militar, sendo o informativo sindical Sindipetro Jornal classificado como veículo de “alta periculosidade para a democracia” (FERREIRA, 2007). Ainda assim, eclodiram manifestações contra a conspiração e ditadura entre estudantes, trabalhadores e políticos de esquerda, alternando a adoção de estratégias pacíficas e violentas. Neste cenário, a imprensa exerceu a função de noticiar as ações dos militares, embora sob intensa censura sobretudo após a promulgação do AI-5 em 1968. Jornalistas que testemunharam e protagonizaram a cobertura deste período em Salvador mantêm viva a memória da reação da imprensa ao golpe civil-militar e à ditadura que o sucedeu, a exemplo de Zilah Moreira (correspondente de O Estado de São Paulo na cidade), João Carlos Gomes (Jornal da Bahia), Florisvaldo Mattos, Fernando Peres, Sebastião Nery, Nelson Cerqueira, Anízio Carvalho, Luiz Henrique P. Tavares, Samuel Celestino e Cid Teixeira.A estrutura de poder na Bahia sofreu transformações profundas durante a gestão dos militares. Entraram em colapso o “populismo moderado” de Lomanto Júnior e a ala liberal da UDN e, após a posse do presidente Castelo Branco, ascendeu o grupo conservador ligado a Luiz Viana Filho. Antonio Carlos Magalhães, a certa altura, fortaleceu-se. Estabeleceu-se no Estado um modelo de administração pública centralizado, vertical e alinhado com as demandas da nova fase de desenvolvimento econômico que marcaria a gestão do presidente Garrastazu Médici. O novo sistema desencadeou na Bahia um ciclo de modernização conservadora – que conciliava desenvolvimento econômico e estratégias políticas conservadoras -, marcada pelo processo de industrialização da Região Metropolitana de Salvador e reurbanização da capital mas também pelo cerceamento de manifestações oposicionistas ao poder central e local.  MetodologiaO projeto ora proposto prevê uma pesquisa histórica que possa identificar e reunir discursos complementares e/ou conflitantes acerca das rotinas produtivas dos veículos, da ingerência dos censores nas redações, de estratégias para burlar a censura e de formas de relacionamento profissional estabelecidas sob proibição de reuniões nos primeiros anos após a promulgação do Ato Institucional – 5, em 1968. Pautada pela pertinência e relevância do tema e pela urgente necessidade de inserir a comunidade acadêmica nos debates sobre a atuação dos jornalistas em Salvador em relação ao regime militar, a proposição visa contribuir para a preservação da memória e a compreensão deste cenário por novas gerações desta fase.Assim, serão realizadas entrevistas em profundidade com informantes estratégicos (jornalistas atuantes na capital como correspondente de jornais sediados no Sudeste ou funcionários de veículos impressos locais, na condição de repórter, redator, editor, chefe de reportagem, diagramador ou fotógrafo), além de inventário de materiais impressos e audiovisuais (documentos, gravações em áudio e vídeo, fotografias etc.) e revisão de literatura relativos à temática. Procederemos, portanto, implementar pesquisa de acervo documental e bibliográfico, confrontando as informações coletadas no processo produtivo com a intenção de registrar a memória destes jornalistas e delinear o cenário do exercício da profissão neste período na capital baiana.Será adotada para estimular os depoimentos a proposição de temas pelo pesquisador, baseado na revisão de literatura. Os depoimentos são utilizados em pesquisas históricas – como a proposta ora apresentada – pela sua riqueza qualitativa e quantitativa, inclusive como forma de suprir a carência de obras impressas e a debilidade de documentação relacionada a determinados assuntos, e de ratificar ou de negar o conteúdo apresentado por outras fontes. A pesquisadora Verena Alberti (1990) diz que “há verdades que são gravadas nas memórias das pessoas mais velhas e em mais nenhum lugar; eventos do passado que só eles podem explicar-nos, vistas sumidas que só eles podem lembrar”, enquanto Eclea Bosi afirma que: Ao lembrar o passado ele (o velho) não está descansando, por um instante, das lidas do cotidiano (…); ele está se ocupando consciente e atentamente do próprio passado, da substância mesmo de sua vida. (…) Há um momento em que o homem maduro deixa de ser um membro ativo da sociedade: neste momento de velhice social resta-lhe, no entanto, sua função própria: a de lembrar (BOSI, 1994). Entretanto, como qualquer depoente faz uma interpretação dos acontecimentos, as informações coletadas de fontes orais serão confrontadas entre si e com o material documental e bibliográfico, propiciando uma representação do real mais fidedigna. Sobre esta questão, diz apropriadamente Alzira Abreu (1997): “(…) registros orais e escritos serão sempre representações acerca da realidade, e jamais a apreensão do acontecido em si”.A difusão destas informações está prevista para 2008, ano de celebração dos 200 anos da imprensa no Brasil, devendo ser promovida através da publicação de uma coletânea dos depoimentos, da apresentação de um paper em evento de caráter científico e de um seminário sobre o tema. Resultados esperadosElaboração e apresentação de paper com resultados da pesquisa em evento científico.Sistematização e publicação de depoimentos de jornalistas em coletânea.Organização e realização de um seminário sobre o tema. Infra-estrutura disponívelLaboratório de informática com computadores com acesso à internet, já disponível na instituição;Gravador digital para coleta de depoimentos, de propriedade do pesquisador. ReferênciasABREU, Alzira A. de. Jornalista: um duplo anonimato. In: SIMSON, Olga Rodrigues de M. von (org.). Os Desafios Contemporâneos da História Oral – 1996. Campinas: Área de Publicações CMU/Unicamp, 1997.ALBERTI, Verena. História Oral: a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1990.BAHIA de Todos os Fatos. Salvador: Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 1997.BARBOSA, Marialva; MOREL, Marcos. História da imprensa no Brasil. Metodologia. Disponível em www.redealcar.ufsc.br, acesso em 05 de maio de 2005.BOSI, Edclea. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.CARVALHO NETO, Joviniano Soares de. Theodomiro: os limites da mídia e da Anistia. A imprensa baiana e o primeiro condenado à morte na República. Salvador: UFBA/FACOM, agosto de 2000 (Dissertação de Mestrado).CELESTINO, Mônica. A Voz da Fonte: apontamentos sobre a adoção de depoente pela história oral e imprensa. Salvador: II Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo/Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, 2004.DIAS, José Alves. A Subversão da Ordem: Manifestações de Rebeldia contra o Regime Militar na Bahia (1964-1968). Dissertação de mestrado. Salvador: UFBA, 2001. ECO, Umberto. Como se Faz uma Tese. 18ª edição. São Paulo: Perspectiva, 2003. FAUSTO, Boris. História do Brasil. 8ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, Fundação para o Desenvolvimento da Educação, 2000.FERREIRA, Marieta de Moraes & AMADO, Janaína (orgs). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getulio Vargas, 2001.FEREIRA, Muniz Gonçalves. O golpe de estado de 1964 na Bahia. Disponível na página eletrônica http://www.fundaj.gov.br/licitacao/observa_bahia_02.pdf, acesso em 14 de julho de 2007.GUIMARÃES, Antonio Sergio Alfredo. A Formação e a Crise da Hegemonia Burguesa na Bahia – 1930 a 1964. Salvador: UFBA, Dissertação de mestrado, 1982.JOSÉ, Emiliano. Galeria F – Lembranças do mar cinzento (2ª série). Disponível na página eletrônicawww.emilianojose.com.br/galeriaf/galeria_fI.htm, acesso em 14 de julho de 2007.SANTOS, José Weliton Aragão. Formação da Grande Imprensa na Bahia. Salvador, 1985. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Universidade Federal da Bahia.   TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia. Salvador: Edufba, 2001.TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. Florianópolis: Insular: 2004.


[1] Apenas em 1985 foi eleito, por voto indireto, o primeiro presidente civil (Tancredo Neves). Entretanto, o candidato mineiro que derrotou Paulo Maluf não assumiria o cargo porque morreu antes, sendo substituído por José Sarney.

Iniciação científica torna-se diferencial profissional

Quem deseja seguir carreira acadêmica como professor universitário e/ou pesquisador ou tem interesse em aprofundar sua formação em determinada especialidade pode ingressar no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), oferecido por instituições de ensino superior (IES) e/ou por agências de fomento à pesquisa como Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado da Bahia) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).As principais faculdades de Salvador mantêm este Programa, propiciando que o estudante faça uma investigação científica na área de sua graduação por um ano (renovável por mais um), sob orientação de um professor-pesquisador e com uma bolsa pelo trabalho. Em geral, elas custeiam parte das bolsas e organizações de fomento financiam outra cota. Nos dois casos, as IES ficam com as atribuições de selecionar e acompanhar os projetos e bolsistas e, ainda, de avaliar o desempenho dos universitários beneficiados pelas agências. O processo seletivo ocorre no primeiro semestre e os pré-requisitos exigidos dos candidatos às vagas variam de acordo com o financiador, porém, em qualquer hipótese, é essencial que o graduando tenha um projeto de pesquisa e um professor experiente para fazer a orientação.O CNPq, através do seu site, enumera como objetivos específicos do PIBIC: Despertar vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação; Contribuir para reduzir o tempo médio de titulação de mestres e doutores; Propiciar à instituição um instrumento de formulação de política de iniciação à pesquisa para alunos de graduação; Estimular uma maior articulação entre a graduação e pós-graduação; Contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa; Contribuir de forma decisiva para reduzir o tempo médio de permanência dos alunos na pós-graduação; Estimular pesquisadores produtivos a envolverem alunos de graduação nas atividades científica, tecnológica e artística-cultural; e Proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensar cientificamente e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas de pesquisa.

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